Tensões no Oriente Médio aumentam após ataque de Irã a Israel
Por Vítor Ventura
No último sábado (13), o Irã realizou um ataque direto a Israel pela primeira vez na história. Mais de 300 mísseis e drones foram lançados no território israelense. A ofensiva foi motivada pelo bombardeio de Israel ao consulado iraniano na Síria. Especialistas apontam que a ação pode mudar a situação no Oriente Médio e começar uma escalada dos conflitos na região.
Ao menos nove países se envolveram no ataque: Irã, Iraque, Síria e Iêmen dispararam mísseis e drones que foram abatidos por Israel, Estados Unidos, França e Jordânia. Apesar da maioria dos projéteis terem sido abatidos, Daniel Hagari, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, disse que alguns danos foram causados no interior do território. Hagari também acusou o irã de aumentar as tensões no Oriente Médio, “O Irã quer escalar a região. Até agora trabalhou através dos seus representantes, mas agora revelou a sua verdadeira face”, disse o porta-voz.
Rashmi Singh, professora o Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), explicou que é necessário contextualizar o ataque. “Precisamos lembrar que o Irã não está fazendo isso do nada, é uma retaliação do bombardeamento do consulado em Damasco”, destacou. Vitelio Brustolin, da Universidade de Harvard, ainda disse que o objetivo do Irã “era dar uma resposta telegrafada para as ações de Israel”. Segundo especialistas, a intenção do ataque não foi a de causar grande dano a Israel, mas sim para mostrar uma resposta do Irã.
Repercussão após o ataque
Em nota, ainda na noite de sábado, o Itamaraty disse que o “Governo brasileiro acompanha, com grave preocupação, relatos de envio de drones e mísseis do Irã em direção a Israel...”. O inistério das Relações Exteriores (MRE) ainda destacou que o “Brasil apela a todas as partes envolvidas que exerçam máxima contenção e conclama a comunidade internacional a mobilizar esforços no sentido de evitar uma escalada”.
No domingo (14), em reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), os dois países acusaram um ao outro de ser a principal ameaça no Oriente Médio. O representante de Israel na ONU, Gilad Erdan, pediu ao Conselho de Segurança da organização para “que aja para designar como organização terrorista" a Guarda Revolucionária, exército ideológico iraniano. Ele também afirmou que Israel tem o direito de retaliação. Já o representante do Irã, Saeed Iravani, disse que o país realizou uma operação legítima, conforme as regras da ONU.
António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou que o Oriente Médio “está à beira do abismo”. Ele citou o perigo de um conflito em larga escala na região. "É hora de reduzir e desescalar a situação e exercer o máximo de contenção", dissse Guterres.
Leia a íntegra da nota do Itamaraty:
O Governo brasileiro acompanha, com grave preocupação, relatos de envio de drones e mísseis do Irã em direção a Israel, deixando em alerta países vizinhos como Jordânia e Síria.
Desde o início do conflito em curso na Faixa de Gaza, o Governo brasileiro vem alertando sobre o potencial destrutivo do alastramento das hostilidades à Cisjordânia e para outros países, como Líbano, Síria, Iêmen e, agora, o Irã.
O Brasil apela a todas as partes envolvidas que exerçam máxima contenção e conclama a comunidade internacional a mobilizar esforços no sentido de evitar uma escalada.
O Governo brasileiro recomenda que não sejam realizadas viagens não essenciais à região e que os nacionais que já estejam naqueles países sigam as orientações divulgadas nos sítios eletrônicos e mídias sociais das embaixadas brasileiras.
O Itamaraty vem monitorando a situação dos brasileiros na região, em particular em Israel, Palestina e Líbano desde outubro passado.
Por: Ministério das Relações Exteriores (MRE)




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