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Relatório aponta que conflitos no campo no Brasil registraram recorde em 2023

lobaoprojeto
6 de mai. de 2024
2 min de leitura

Números de conflitos nos campos preocupam a Comissão Pastoral da Terra


Por Vitor Guilherme



A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta segunda-feira (22/4) um relatório que detalha os conflitos no campo em território brasileiro em 2023. De acordo com o documento, o Brasil teve 2.203 incidentes, o maior número já registrado desde 1985, quando a série de levantamentos foi iniciada. Episódios de violência em 59 milhões de hectares por todo o país envolveram aproximadamente 950 mil pessoas. Até a divulgação do relatório, o ano com maior quantidade de ocorrências havia sido 2020.


Apesar da escalada de conflitos nos campos em 2023, o número de assassinatos (31) foi menor no ano passado em comparação com os dois anos anteriores. Em 2022 e 2021 os números foram 47 e 36, respectivamente. Ainda assim, a CPT reforça que os dados sobre violência no campo estão em uma crescente nos últimos 10 anos. Nesse período, os destaques de ocorrências são: pistolagem, invasão, expulsão, destruição de casas, destruição de roçado e destruição de pertences.


Em 2023, a região Norte foi a mais afetada com 810 conflitos. Em seguida, a Nordeste (665), a Centro-Oeste (353), a Sudeste (207) e a Sul (168). A CPT também separou os incidentes em quatro tipos de ocorrências: terra, água, trabalho e resistência. Grande parte dos conflitos no ano passado (78,2%) foi motivada pela disputa de terras; 11,4%, pela água; 10,4%, relacionados a trabalho; e 6,3% foram motivados por algum tipo de resistência.


Os estados com mais conflitos foram Bahia, com 249, seguido por Pará e Maranhão, com 227 e 206 incidentes respectivamente. Os dados referentes a assassinatos mostram que as pessoas mais atingidas foram os indígenas, com 14 vítimas. Em seguida, as pessoas sem-terra (9), os posseiros (4), os quilombolas (3) e um funcionário público.


De acordo com a CPT, o aumento da violência nos campos está relacionado à negligência dos governos estaduais e à repressão policial contra comunidades quilombolas, assentamentos de terras indígenas e acampamentos. Aliado a esses fatos, o relatório também destaca que os maiores causadores de violência são fazendeiros, empresários e grileiros.

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