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60 anos da ditadura no Brasil

lobaoprojeto
1 de abr. de 2024
3 min de leitura

Por: Vítor Ventura


No dia 31 de março de 1964, tanques do exército são enviados ao Rio de Janeiro onde está João Goulart, atual presidente do Brasil. Três dias depois, Jango parte para o exílio no Uruguai e uma junta militar assume o poder no país. Esse evento desencadeou um período de 21 anos marcado pela repressão, restrição à liberdade e censura no Brasil.



60 anos depois, jornalistas ainda trabalham para esclarecer fatos que foram escondidos da população durante a ditadura militar e, principalmente, para preservar a memória de um acontecimento histórico que nunca deve ser esquecido.


O passado remoído


É difícil pensar em fatos inéditos sobre algo que teve início há 60 anos atrás, no entanto quando se trata de um período em que a censura e a restrição de liberdade eram comuns, o trabalho de descobrimento de novas informações é constante dia após dia. Esse é o papel do jornalismo.


A série “A Ditadura Recontada”, da Rádio CBN, traz áudios inéditos sobre os bastidores da ditadura militar no Brasil. A produção em formato de podcast aborda quase 300 horas de áudio do arquivo do jornalista Elio Gaspari. O material será revelado pela primeira vez ao público.


“A Ditadura Recontada joga luz sobre os bastidores desse período sombrio, com gravações de protagonistas dessa história que, por décadas, foram muito bem guardadas”. 


O jornalismo investigativo é um importante aliado da democracia por exigir respostas à população. Tratando-se da ditadura, a questão é a mesma. Nos 60 anos do golpe, a Agência Pública produziu uma série de reportagens para revelar segredos desse período.



“Se você apaga o passado, vai ter problema para pensar o futuro. Esses lugares (centros de tortura) estão nos contando uma história, que é bom não esquecermos se quisermos defender a democracia. Essa é a utilidade do passado nesse caso”, historiadora Heloísa Starling em entrevista à Agência Pública.


A Agência Mural coloca em evidência o jornalismo local e mostra como a ditadura militar afetou os moradores nas periferias de São Paulo. O especial “Sem Esquecimento” traz depoimentos de “historiadores das quebradas”, moradores que viveram nas periferias nessa época e trabalhadores que sofreram com a repressão.


“A memória da ditadura serve para isso, para entender quem são os aliados da ditadura que ainda estão vivos e para que a juventude entenda que teve muita construção democrática nas periferias para derrubar a ditadura”, historiador Adriano Souza em entrevista à Agência Mural.



A influência no presente


A censura foi muito utilizada durante o regime militar. Com isso, o jornalismo se enfraqueceu e o acesso à informação de qualidade foi prejudicado. Gisele Lobato, da agência de checagem Aos Fatos, elencou em reportagem as principais mentiras usadas para justificar a ditadura.


A matéria divide em seis eixos temáticos as mentiras contadas no regime militara: chamar golpe de “revolução”; inflar a “ameaça comunista”; simular normalidade institucional; camuflar mortes por tortura e execuções; forjar acusações de crimes para culpar opositores; e omitir e manipular dados para ocultar a realidade do país.


“O regime atuou ao longo do tempo para reforçar as versões oficiais e, na verdade, nunca abriu mão delas, já que os militares não assumem essas mentiras até hoje”, historiador Lucas Pedrettit em entrevista ao Aos Fatos.


Já outra agência de checagem, a Lupa, também apontou como essas mentiras estão sendo usadas para exaltar o golpe militar atualmente. Ítalo Rômany detalhou como teses negacionistas e informações falsas sobre a ditadura militar são recicladas nas redes sociais.


"Exatamente como digo, o regime militar só foi ruim pra vagabundo comunista (esses que aí estão até hoje, políticos, artistas, cantores, jornalistas etc)...eles praticavam terrorismo, ASSALTO EM BANCOS, JOGAVAM BOMBAS EM SOLDADOS, FAZIAM ARRUAÇAS, praticavam coisas terríveis", trecho de postagem em um grupo de WhatsApp resgatado pela Lupa.


Porém em entrevista à Lupa, Rodrigo Patto Sá Motta, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ressaltou que a violência durante a ditadura atingiu milhares de pessoas além dos alvos políticos, “muito além do que seria comunista ou vagabundo”, explicou.


Para não se esquecer no futuro


Em entrevista à Caroline Oliveira, do Brasil de Fato, o sociólogo Ivo Lebauspin afirmou que é um erro não trabalhar a memória da ditadura. Ele, vítima de tortura durante o regime, explicou como existe uma narrativa de que é melhor se reconciliar com o passado e esquecer o que aconteceu. A imprensa, no entanto, não se rendeu a essa narrativa.


Dener Alano e Rodrigo Salgado, do G1, detalharam como o Brasil seguiu apenas duas das 29 recomendações da Comissão da Verdade pela democracia. Aline Marcolino, do Poder360, relembrou as ditaduras instauradas na América do Sul após o golpe de 1964 no Brasil. Já a Carta Capital, em matéria de Wendal Carmo, traçou um paralelo do regime militar com os atos golpistas de 2022

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